Comunicados de Imprensa

Mais vale tarde do que nunca, mas é preciso não parar!

A LPN congratula-se com as medidas tomadas pelo Governo no reforço das capacidades de proteção e de vigilância das áreas maturais e protegidas. É pena que elas tenham apenas sido tomadas em contexto de reação à tragédia de devastadores incêndios...




Fotografia de Rui Cunha



A Liga para a Protecção da Natureza congratula-se com as medidas tomadas pelo Governo no reforço das capacidades de proteção e de vigilância das áreas maturais e protegidas. É pena que elas tenham apenas sido tomadas em contexto de reação à tragédia de devastadores incêndios que para além de levarem muitas vidas humanas, quantas vezes dos nossos mais abandonados concidadãos, destruíram parte substantiva do nosso património natural, incluindo espécies e habitats de muito elevado valor e raridade mas, como diz o nosso povo, “mais vale tarde do que nunca”!

É preciso agora, exigível mesmo, que as medidas tomadas não sejam a exceção mas o início de uma nova atitude dos responsáveis pela Governação com particular relevo para os Ministros do Ambiente e da Agricultura. Não podemos mais, quando os acontecimentos de hoje correrem o risco de começarem a ser memória, que se volte a desvalorizar e a menorizar, nas políticas e na distribuição dos recursos públicos, a floresta, a natureza e todos os homens e valores naturais que dão um sopro de vida a territórios abandonados por décadas de opções de desenvolvimento, modernas e de “encherem o olho” mas absolutamente insustentáveis e injustas.

A LPN exorta o Ministro da Agricultura para que tenha a coragem e a sabedoria de romper com políticas absolutamente desequilibradas na alocação dos recursos e aposte forte e sem tibiezas na valorização e proteção da floresta e dos recursos naturais na revisão do atual Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) e na negociação e preparação da próxima Política Agrícola Comum e novo Programa de Desenvolvimento Rural.

A LPN exorta o Ministro do Ambiente para que tenha a ousadia e seja visionário, rompendo com interesses e práticas costumeiras no ambiente e adopte no Fundo Ambiental uma orçamentação e uma gestão corajosa, decididamente de investimento na valorização e proteção dos recursos da Natureza que não podendo ser mercado são bens públicos inequívocos.

A LPN exorta a que os Ministros do Ambiente e da Agricultura sejam capazes de mostrar que são diferentes e conseguem decidir em conjunto políticas de otimização dos recursos em favor da proteção e valorização dos ecossistemas naturais.

A LPN exorta o Primeiro-ministro e o Ministro das Finanças para que possibilitem uma orçamentação anual sustentada do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas para que este possa, como certamente deseja, exercer as suas responsabilidades públicas. Não podemos continuar a pensar “menos Estado e melhor Estado”, para depois virmos a lastimar a falência do Estado.

O investimento público na floresta e na proteção da natureza e dos territórios que tem nestes os seus ativos principais, quase únicos, é o mais rentável e justificável dos investimentos públicos a par dos que fazemos nas funções de soberania e de defesa da saúde e da educação públicas.

Em apenas quatro meses, este ano, a Natureza mostrou como é tragicamente caro e muitas vezes irrecuperável não o fazer!