Comunicados de Imprensa

Pesca da sardinha: parar agora para não acabar para sempre – PONG-Pesca

O Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (CIEM, em inglês, ICES) divulgou hoje o parecer científico sobre a pesca da sardinha ibérica para 2018, onde recomenda uma paragem total desta atividade.


 
 



O Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (CIEM, em inglês, ICES) divulgou hoje o parecer científico sobre a pesca da sardinha ibérica para 2018, onde recomenda uma paragem total desta atividade. A Plataforma de Organizações Não Governamentais sobre a Pesca (PONG-Pesca*) salienta que esta recomendação evidencia a má situação do stock da sardinha ibérica e deve ser seguida para dar as melhores hipóteses possíveis de recuperação, juntamente com a adoção de outras medidas de gestão e proteção da sardinha e dos habitats que lhe são essenciais. A PONG-Pesca lamenta os impactos negativos que esta medida terá no sector da pesca, transformação e comercialização de pescado, mas considera que estes devem ser menorizados através do redirecionamento para outros stocks e de medidas de valorização da atividade.

O CIEM divulgou hoje o seu parecer para as possibilidades de pesca de sardinha ibérica para o ano de 2018, recomendando uma paragem total da pesca a esta espécie**. O documento – para o qual contribuem os investigadores do Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA) – faz uma descrição detalhada da situação dramática em que este stock tem estado nos últimos anos.

Perante este quadro, e como vem indicando há vários anos, a PONG-Pesca apela ao governo que siga as recomendações científicas, articulando as medidas de recuperação e gestão com Espanha. PONG-Pesca alerta para a necessidade de se fazer um esforço na gestão da pescaria da sardinha ibérica com recurso a um plano de recuperação nos próximos anos e esperar assim que haja sinais claros de recuperação do stock para se voltar a ter uma pescaria revitalizada e sustentável.

Segundo Gonçalo Carvalho, coordenador da PONG-Pesca, “a situação é lamentável, mas não é de todo inesperada, pois os pareceres científicos e as informações vindas do mar já há muito tempo nos dizem que a sardinha está à beira do colapso. É tempo de parar a pesca à sardinha e tomar todas as medidas para esta poder recuperar.”

A PONG-Pesca reforça a importância do trabalho do IPMA e todo o seu esforço para assegurar a credibilidade dos dados que forneceram ao CIEM para a elaboração deste aconselhamento. Na situação atual é ainda imperativo intensificar o esforço no desenvolvimento de estudos científicos que permitam encontrar respostas e soluções pelo que a PONG-Pesca apela ao reforço na capacitação (recursos humanos, financeiros e institucionais) das entidades nacionais que fazem investigação em biologia pesqueira e avaliação de stocks, “não só para a recuperação da sardinha, mas também para podermos com confiança pescar outras espécies, como a cavala e o biqueirão, sem correr os riscos de os esgotar”, acrescentou Gonçalo Carvalho.

A PONG-Pesca mantém a sua disponibilidade e empenho em colaborar na procura de soluções para a frota do cerco. Como tal, chama a atenção para a necessidade premente de encontrar alternativas que podem passar, por exemplo, por redirecionar o esforço de pesca da frota para outras espécies. Outras soluções podem passar pela valorização de outras espécies e pela diversificação da atividade das embarcações e dos profissionais da pesca, como o turismo ou outras pescarias. “Permitir a continuação da pesca da sardinha nesta altura não só põe em risco o stock, como todas as pessoas que dependem da pesca do cerco. É tempo desta pescaria existir para além da sardinha, introduzindo medidas essenciais para a sua continuidade a curto, médio e longo prazo”, concluiu o mesmo responsável.


* Associação Portuguesa para o Estudo e Conservação dos Elasmobrânquios (APECE), Grupo de Estudos do Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Observatório do Mar dos Açores (OMA), Associação Nacional de Conservação da Natureza (Quercus), Associação de Ciências Marinhas e Cooperação (Sciaena), Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e WWF Portugal – World Wildlife Fund for Nature.

** http://ices.dk/sites/pub/Publication%20Reports/Advice/2017/2017/pil.27.8c9a.pdf