Comunicados de Imprensa

PONG-Pesca assinala Dia da Dependência de Pescado, o dia em que Portugal fica sem peixe

Todos os anos cada Estado-Membro europeu assinala simbolicamente o dia em que esgota o abastecimento de pescado local. A Europa consome mais pescado do que aquele que a sua frota captura, o que significa que a maior parte do pescado consumido provém de países terceiros, muitos dos quais em vias de desenvolvimento.




 



Lisboa, 31 de março de 2017


Todos os anos cada Estado-Membro europeu assinala simbolicamente o dia em que esgota o abastecimento de pescado local. A Europa consome mais pescado do que aquele que a sua frota captura, o que significa que a maior parte do pescado consumido provém de países terceiros, muitos dos quais em vias de desenvolvimento. A Plataforma de Organizações Não Governamentais sobre a Pesca (PONG-Pesca)* assinala dia 1 de Abril o Dia da Dependência de Pescado  (ou Fish Dependence Day) em Portugal.

A partir de 1 de abril e até ao final do ano, Portugal depende da importação de pescado para satisfazer a procura dos portugueses. O Dia da Dependência de Pescado é uma iniciativa que visa aumentar a consciencialização dos consumidores europeus sobre a proveniência do pescado e da dependência da Europa de importações de produtos pesqueiros.

Este ano, em Portugal, o Dia da Dependência de Pescado é a 1 de abril, mais cedo do que em anos anteriores. Todos os anos, nos tornamos mais dependentes de capturas efetuadas em águas não-europeias. De acordo com a Organização para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO), Portugal continua a ser o país europeu com maior consumo de pescado: cerca de 62 kg/per capita/ano, cerca de três vezes mais pescado do que o europeu comum. Dado que o Dia da Dependência de Pescado em Portugal se assinala este ano no final do primeiro trimestre, as águas portuguesas fornecem apenas 1/4 do pescado que os portugueses consomem.

Esta falta de autonomia no abastecimento resulta de um conjunto de fatores, em que dois dos mais importantes são um excessivo consumo de produtos pesqueiros importados e a sobre-exploração dos stocks europeus. Ainda que, para alguns recursos, as medidas de conservação estejam a dar sinais positivos, Portugal, tal como os seus parceiros europeus, transfere agora a sobre-exploração aos stocks de países terceiros, fragilizados por políticas pouco sensíveis às questões de sustentabilidade na exploração de recursos marinhos.

Assim, aconselhamos os consumidores de pescado a diversificar a sua dieta, consumindo espécies que frequentemente não são aproveitadas, contribuindo para a diminuição do seu desperdício e para aliviar a pressão sobre os stocks de pescado mais explorados. Esta é também uma oportunidade para a indústria transformadora diversificar a sua oferta e dar preferência a produtos com certificado de sustentabilidade.

Grande parte dos stocks europeus ainda são pescados a níveis superiores ao Rendimento Máximo Sustentável (RMS) e muito trabalho há por fazer no que respeita ao incentivo de comportamentos de consumo que valorizem a sustentabilidade na exploração dos recursos pesqueiros.

Em 2016, a Oceana (uma ONGA internacional) publicou um estudo em que referia que a captura de pescado nas águas da UE poderia aumentar 57% se os recursos fossem geridos de forma sustentável e fossem fixados de acordo com os pareceres científicos.

É, por isso, urgente aproveitar a oportunidade dada pela atual Política Comum das Pescas para aumentar e melhorar os atuais esforços no sentido de uma gestão sustentável, aproveitando o potencial produtivo das águas portuguesas e a PONG-Pesca encontra-se disponível para colaborar com a administração e o setor das pescas nesse sentido.



PONG-Pesca

Rita Sá (cocoordenadora da PONG-Pesca) | (+351) 914517337  | pong.pesca@gmail.com
 


Comunicado de Imprensa (PDF)



1 A PONG-Pesca é constituída pela Associação Portuguesa para o Estudo e Conservação dos Elasmobrânquios (APECE), Grupo de Estudos do Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Observatório do Mar dos Açores (OMA), Associação Nacional de Conservação da Natureza (Quercus), Associação de Ciências Marinhas e Cooperação (Sciaena), Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e WWF Portugal – World Wildlife Fund for Nature.