Comunicados de Imprensa

Milhafre-real envenenado foi recuperado e será devolvido à Natureza

No próximo dia 7 de dezembro, em Castro Verde, será devolvido à natureza o único sobrevivente de 14 animais silvestres vítimas do maior caso de envenenamento identificado na ZPE de Castro Verde: um milhafre-real, recuperado no RIAS (Olhão).






O número de animais detetados, naquele que será o 3º maior caso em Portugal de envenenamento de aves selvagens desde 2003, perfaz neste momento um total de 14 animais.
 
No entanto, uma ótima notícia surge no meio deste preocupante e infeliz caso: o primeiro animal detetado, um milhafre-real encontrado ainda com vida pela LPN - Liga para a Protecção da Natureza, foi recuperado com sucesso no Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens (RIAS/ALDEIA em Olhão), e será devolvido à Natureza em Castro Verde no próximo dia 7 de dezembro, quarta-feira, ao meio-dia.

O rápido encaminhamento da ave, realizado por um técnico da LPN, e a eficaz intervenção da equipa do RIAS durante as últimas três semanas possibilitaram a recuperação deste milhafre-real, uma espécie ameaçada em Portugal. Os casos de deteção de aves selvagens ainda vivas com sintomas de envenenamento são raros, dada a toxicidade dos compostos usados e a dificuldade de localização das aves na natureza, pelo que uma atuação célere e eficiente foi essencial para o sucesso desta recuperação.

Este episódio de envenenamento massivo, o maior identificado até agora na Zona de Proteção Especial (ZPE) de Castro Verde (e o terceiro maior em Portugal), ocorreu durante a segunda quinzena de novembro e afetou, pelo menos, uma águia-imperial-ibérica, 12 milhafres-reais e uma raposa. As equipas do SEPNA da GNR recolheram todos os cadáveres encontrados, assim como outras evidências no local, que foram encaminhados para análises forenses, estando a ser aguardados os resultados dos primeiros exames solicitados pelo ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e Florestas.

O uso ilegal de veneno é uma prática muito lesiva para a natureza mas que pode também afetar gravemente os seres humanos e os animais domésticos. Existe um elevado risco para a saúde pública, quer por introdução dos tóxicos na cadeia alimentar humana, quer através do contacto direto por manipulação de iscos ou contacto com fluidos de animais envenenados.

Em 2016, este foi o quarto caso de morte de águia-imperial-ibérica registado no Baixo Alentejo cujos indícios são compatíveis com morte por envenenamento. No caso desta espécie, em que as ameaças não-naturais podem pôr em risco toda a população nacional, atualmente constituída apenas por 15 casais reprodutores, esta é uma ameaça séria e é por isso um dos focos de atuação do Projeto LIFE Imperial.

A devolução à natureza deste milhafre-real irá ocorrer no dia 7 de dezembro, pelas 12h00, em Castro Verde, perto do Centro Escolar nº2 e contará com a presença de alunos desta escola, ficando o convite para que participem também neste momento.


SOBRE A ÁGUIA-IMPERIAL-IBÉRICA (Aquila adalberti)
Atualmente nidifica exclusivamente na Península Ibérica. A espécie sofreu um grande declínio que culminou com o desaparecimento da população reprodutora em Portugal entre finais da década de 1970 e inícios da década de 1980. Apenas em 2003 se voltou a confirmar um casal nidificante e desde então têm vindo a colonizar lentamente o território nacional, apresentando o estatuto de conservação de “Criticamente em Perigo”. Em 2016 a população nacional foi de 15 casais divididos pelas regiões da Beira Baixa, Alto Alentejo e Baixo Alentejo tendo nascido 18 crias.

SOBRE O PROJETO LIFE IMPERIAL
O Projeto LIFE Imperial (LIFE13 NAT/PT/001300) é um projeto coordenado pela LPN e conta com 7 beneficiários associados nacionais e espanhóis, sendo financiado a 75% por fundos comunitários do Programa LIFE da União Europeia. O LIFE Imperial tem por objetivo assegurar o aumento da população de Águia-imperial em Portugal, e consequentemente da população global ibérica, através da redução das ameaças que afetam o eficaz estabelecimento de casais em Portugal, orientando a sua atuação de modo a garantir que o retorno natural da espécie a Portugal possa ser consolidado de forma sustentável e duradoura.
A atuação do LIFE Imperial abrange a redução da mortalidade não-natural, incluindo o combate a atos ilegais, como o uso ilegal de venenos, através de uma linha de atuação que assenta na formação, sensibilização, fiscalização e ação judicial.



Saiba mais em www.lifeimperial.lpn.pt